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“The Last Generation connected to the Great War” – Who is Jorge Shy

QUEM E JORGE SHY ? ( a ultima geração ligada a grande guerra )

O músico Jorge Shy nasceu na cidade de São Paulo e cresceu em uma casa com muita música. O pai, Silvio Fernandes, um publicitário de Natal (RN), foi criado no Rio de Janeiro na época em que o Beco das Garrafas fervilhava e a bossa nova explodia mundo afora. Desde cedo mostrou para o filho a obra espetacular de nomes como Tom Jobim e Elis Regina, mas também incentivava o menino a escutar Glenn Muller, Duke Ellington, Tommy Dorsey, os Beatles e Sinatra, entre outras influências.

“Meu pai nasceu em Natal na época em que a cidade abrigava uma base aérea dos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial. A música e os costumes dos americanos chegavam com força naquela ponta do Brasil e ele foi muito influenciado por esse clima. Desde pequeno, me lembro dele me chamando para ouvir o ‘piston’ (trumpete) do Louis Armstrong ou um disco novo do George Harrison que acabara de sair. Foi assim que começou meu amor eterno pela música”, lembra o guitarrista, de 48 anos.

Educado num colégio que ficava em um bairro onde moravam muitos estrangeiros e descendentes de imigrantes (americanos, alemães, japoneses), Jorge sempre teve contato com outras culturas, principalmente a que vinha dos EUA (coisa comum para quem cresceu em SP nos anos 70 e 80). A relação muito próxima com o avô materno, Jorge Fragoso, um executivo da indústria de alumínio, também o marcou. Em meados dos anos 30, o patriarca Jorge morou em Bremen (Noroeste da Alemanha), onde aprendeu a construir aviões. Chegou a fazer estágio na “Lufftwaffe” (principal companhia aérea germânica), mas o nazismo já dominava o país e ele teve que voltar ao Brasil, enquanto Hitler espalhava seu regime de terror pela Europa e a guerra eclodia.

“Meu avô me mostrou o que era música clássica. Mas foi também a pessoa que me ensinou os principais valores universais”, conta o músico, que herdou o nome do engenheiro.

No início dos anos 80, a paixão pelos Beatles levou Jorge às aulas de guitarra. O pai dizia que ele deveria aprender violão primeiro e o adolescente acabou dominando os dois instrumentos ao mesmo tempo. Naquela época, São Paulo tinha um cenário de música inovador, com ótimas bandas como Tutti Frutti, Terco, Rock Memory, Beatles Forever e Comitatus, que precederam a explosão do rock nacional.

“Dois momentos me marcaram muito: a morte de Lennon, que me fez mergulhar fundo na música, e o primeiro show de rock em um estádio brasileiro, do grupo inglês Queen, em 1981. Ao ouvir aquele som ‘massivo’ saindo das enormes caixas, fiquei petrificado, encantado. Foi ali, naquele momento, que disse para mim mesmo: ‘É isso que eu quero fazer da vida’”, recorda Shy.

Foram várias bandas de escola, projetos amadores e semi-profissionais até o início da carreira musical nos Heróis da Resistência, banda formada em 1986.

“Quando cheguei ao Rio, eu era apenas um garoto de 18 para 19 anos, no meio de músicos de muita experiência e calibre internacional. Alfredo Dias Gomes tocava com Lulu Santos e já havia tocado com Hermeto Pascoal e Ivan Lins. Lulu Martin era um dos melhores pianistas da cidade e tocava na banda de jazz Garagem, com estrelas como Marcio Montarroyos, Arthur Maia, Mauro Senise , Rique Pantoja entre outros. Além deles, Leoni, que vinha do enorme sucesso com o Kid Abelha, e já era um dos grandes ‘hitmakers’ dos anos 80, completava os Heróis”, relata Shy. “Esse processo me fez crescer muito, pois estes músicos me puxavam para cima o tempo todo. Tive momentos muito difíceis, mas eu ia dando o meu jeito”, diz.

Na gravação do primeiro disco, conheceu o produtor Liminha.

“Ele é dono de uma personalidade muito forte. Era bravo, duro, exigente, mas também sabia ser muito gentil. Foi um dos grandes professores que tive na música”, conta.

No segundo disco, “Religio”, a banda foi convidada por Liminha, que se mudara para os EUA, para gravar em Los Angeles. Ele buscava bons músicos para executar, gravar e fazer experimentos em terras americanas. Os ‘heróis’ passaram quatro meses na América fazendo a pré-produção do disco, gravando e, depois, mixando nos grandes estúdios como o Ocean Way, onde Michael Jackson gravou “Thriller” .

“Um dia chego de carro com o Leoni e, no estacionamento ao nosso lado, para uma Mercedes conversível e vejo saindo, nada mais nada menos, que Mr. Burt Bacharah. ‘Hi Burt!’, acenamos. Lá era assim”, diverte-se.

Quando o disco ficou pronto e a banda voltou ao Brasil, a gravadora Warner soltou uma bomba, informando que o orçamento havia estourado e que não havia verba para a divulgação do álbum. Era para ser o apogeu do grupo, mas foi um revés na carreira dos Heróis da Resistência.

“Esse disco causou várias sequelas, entre elas o afastamento de Alfredo e Lulu, que ficaram descontentes com o rumo que as coisas tomaram naquela época . O Cadu (baterista) entrou e fez o trabalho do segundo disco, levando ao palco outra inovação: um computador Macintosh de última geração, que controlava os teclados e ‘sequencers’ e era acionado do palco. Ali eu diria que os Heróis, mais uma vez, inovaram na música brasileira. Foram a primeira banda a gravar e mixar um disco no exterior e levar ao palco uma tecnologia ainda inexistente no país naquela época. O fato de ser um “técnico” nunca fez do Cadu um grande baterista, e este foi o principal motivo para ele deixar a banda, dando lugar ao Galli (que saíra do grupo Hanoi Hanoi ), que se encaixava na nova proposta da banda de adicionar peso ao som do grupo, transformado num ‘power trio’. O disco ‘Heróis 3’ foi gravado no estúdio ‘Nas Nuvens’ e, desta vez, produzido pelos Heróis e por Ricardo Garcia, hoje um dos grandes masterizadores do Brasil”, relata Shy.

Na época ele estudava muito violão clássico e jazz, atingindo o auge da fase técnica como guitarrista de rock. “Por diversas vezes fui citado pela crítica por ser um guitarrista diferenciado no rock nacional. No mesmo período, comecei a sentir vontade de estudar ainda mais, de ir para os EUA e me tornar um músico mais completo”, afirma.

O “Heróis 3” não foi um sucesso comercial, mas levou a banda a rodar o Brasil. No final do ciclo, quando os músicos já se preparavam para um novo trabalho, a Warner sofreu mudanças. O então presidente nacional Andre Midani foi para a Warner Internacional, em Nova York, e a nova direção decidiu dispensar todas as bandas de rock cujas vendas estavam em declínio. Ou seja, a casa de grandes sucessos do rock nacional, como Barão Vermelho, Ira e Titãs, foi desmontada. Era o início do domínio de ritmos como axé, lambada e sertanejo.

Outro duro golpe contra os Heróis foi quando uma de suas músicas inéditas, selecionada para abrir uma novela da Globo no horário nobre, acabou cortada em cima da hora. “Aquilo foi o sinal de que eu deveria navegar outros mares e que meu ciclo nos Heróis da Resistência estava no fim. Seis meses depois, o Leoni resolveu partir para carreira solo e foi o fim da banda”, conta Shy.

O terceiro disco do grupo representou também o final de uma era de ouro do rock nacional. A obra foi recentemente eleita como um dos dez melhores discos de rock já produzidos no Brasil.

 

JORGE SHY E FORMADO EM JAZZ COMPOSITION E FILM SCORING “PELA BERKLEE COLLEGE OF MUSIC” DE BOSTON , JÁ TEM 3 DISCOS SOLOS GRAVADOS E COM ELOGIOS DA CRÍTICA INTERNACIONAL , SUA MÚSICA INSTRUMENTAL CONTINUA CONQUISTANDO MAIS ADEPTOS AO REDOR DO GLOBO .

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