Heróis Três

1990
Cover : Heróis Três

Na cena musical, os termos “pop” e “comercial“ andam, invariavelmente de mãos dadas. Um pode ser o resultado do outro e vice-versa. Então, como diferenciar o pop de qualidade do pop oportunista, já que ambos almejam, igualmente, o sucesso comercial? A resposta está em quem faz. Quando ele é feito por um grupo ainda novo na cena, mas já bastante tarimbado como o Heróis da Resistência, é preciso que se atente para os envolvidos. No caso, os Heróis tem à frente o nome Leoni, que queiram ou não, público, critica, ou simples espectadores, tem um papel importante na cena pop/rock nacional dos últimos anos, como letrista e músico participante. Sem precisar entrar em detalhes, todo mundo sabe que Leoni foi um dos responsáveis por grande parte dos maiores sucessos de seu grupo original, o Kid Abelha, onde respondia pela maioria das letras. E é justamente nas letras e composições de Leoni que reside a diferença que separa o Heróis da Resistência da maioria dos grupos oportunistas, que entram nessa apenas como aventura. Nessa investida em novo grupo que chega agora ao terceiro e decisivo LP, Leoni teve a felicidade de encontrar a guitarra e a parceria de Jorge Sky, outro jovem talentoso que responde pela ”face sonora” do Heróis. Leoni e Shy, com seus talentos, quase repetem parcerias históricas do pop/rock. E o “quase”, a cada momento se transforma em afirmação, tais os avanços alcançados. Eles podem ser notada ao longo das dez faixas, incluindo uma vinheta de abertura, “Greenpiece”, onde Jorge Shy mostra todo o seu virtuosismo como instrumentista. Leoni continua o bom letrista de sempre, rico em palavras e rimas, desta vez abordando temas que refletem no cotidiano atual do planeta, tendo em ponto de vista o Brasil. Em duas delas ele abre a parcerias. Uma, “Sexo e certezas”, com Jorge Shy, e outra, “O fim da estrada”, a faixa que encerra o disco, com Dulce Quental, outro grande talento da pop brasileiro, que como Leoni, possui grande sensibilidade e personalidade. No geral, um trabalho que passeia por baladas que Leoni sabe construir tão bem, como “Sinal dos tempos“ e “O que eu sempre quis”, e canções francamente rock como “Rio” e “Nova onda, nova droga”. Gravado e mixado entre novembro de 89 e março de 90, no “Nas nuvens”, com produção do grupo em parceria com Ricardo Garcia. “Heróis Três” conta com a forcinha de vários amigos do grupo em diversas faixas, sendo uma especial, os vocais do também talentoso guitarrista Edgard Scandurra (IRA!), em “Diga não!”. Em síntese, “Heróis Três” tem o vigor e o frescor de um disco de estréia, só que sem as invariáveis indecisões destes e com a dose de profissionalismo e competência de quem tem conhecimento da estrada e sabe o que está fazendo. Como o número do disco, o Heróis é agora um trio, formado pelo baterista Galli, que parece estar no time desde o começo, tal a sua intimidade com o trabalho do grupo. Um disco de alta rotação que ouvidos não poluídos captarão com prazer, de um grupo que caminha para alcançar o perfeito equilíbrio.